terça-feira, 31 de janeiro de 2012

The Maccabees - Given to the Wild



Artista: The Maccabees
Álbum: Given to the Wild
Data de lançamento: 6 Janeiro 2012
Género: Indie Rock
Editora: Fiction Records
Lista de faixas:

1 – “Given to the Wild (Intro)”
2 – “Child”
3 – “Feel to Follow”
4 – “Ayla”
5 – “Glimmer”
6 – “Forever I’ve Known”
7 – “Heave”
8 – “Pelican”
9 – “Went Away”
10 – “Go”
11 – “Unknown”
12 – “Slowly One”
13 – “Grew Up at Midnight”

Os The Maccabees são um exemplo de banda que já cativaram uma boa porção do povo alternativo com os seus dois álbuns anteriores e que tinham alguma pressão sobre este terceiro para cumprir o dever de elevar a banda de patamar. Actualmente, a banda fica naquela divisão de opiniões e não se conseguem estabelecer num sítio certo entre liderança e seguimento. Lideram um movimento e têm um som próprio ou seguem um montão de outras bandas e são mais influenciados que influentes?

Por exemplo, ao longo deste disco muito se detectam as óbvias proximidades a Arcade Fire, por exemplo. O single “Pelican” vai sendo regado de uma boa dose de Futureheads. Sem querer pecar muito também noto algo de Vampire Weekend em “Went Away”. “Ayla” parece acenar subtilmente aos Muse. Várias faixas seguem uma linha mais calma e parecem conter um mínimo tributo a um acto mais recente como The xx. Ainda para mais, parece haver uma certa “pitada” melódica que parece seguir pelos caminhos de actos alternativos mais clássicos como The Stone Roses – que a banda aponta como influência. E mesmo assim não é tudo, mesmo orientado mais por guitarra, também já mete mãos a outros elementos electrónicos que os situa na situação presente de música “Indie” que os podia colocar ao lado de outras bandas como Two Door Cinema Club.

Faixas como “Feel to Follow” parecem ir pela vertente da escrita dócil e com a abordagem de uma espécie de “Indie suave” que amacia os parâmetros da música para que se torne mais acessível. O mesmo se dá, por exemplo, com “Glimmer”. Já “Go” e o seu beat inicial e melodia simples e pegajosa já parece ser uma canção mais directa ao “airplay” e podia espalhar-se com alguma facilidade – talvez mais do que o próprio single “Pelican”.

Portanto por esta análise, quase que já podemos colocar a etiqueta nos Maccabees e embalá-los como sendo seguidores de outros actos, com pouca influência e até “mais uns” com um disco que mais soa a uma playlist Indie que a um CD novo de originais de uma banda. Não, nada disso, apenas descrevi a parte influenciada, agora vem o resto.

Os The Maccabees marcaram à sua maneira a música alternativa por serem um acto que realmente se adapte aos gostos por outras bandas e que dê para se fundir com elas, mas tocam muito à sua própria maneira que faz com que se crie o seu próprio rótulo. Há 3 anos atrás, em tempos de “Wall of Arms”, ficavam na cabeça de todos com “Love You Better” que ainda hoje facilmente me assombra o ouvido por tempo indefinido – no bom sentido. São uma banda bastante orelhuda no que toca às melodias, mas não parece ser o factor mais importante.

A banda tem um método de escrita que provavelmente não se assemelha ao de mais nenhuma outra banda. É também uma banda que mantém as composições dos temas de forma simples ao olho nu – ou melhor, ouvido – mas que são as pequenas coisas que as completam à sua própria maneira. E no entanto também, com essa pequenez aparente de escrita, conseguem elevar a fasquia da ambição na hora de lançarem este “Given to the Wild”. O único que pode travar a distinção imediata da música dos Maccabees para a de outra banda pode ser a voz que não ultrapassa qualquer barreira e existem várias similares.

De modo geral, para qualquer um que aprecia o estilo de música a que rotulamos de “Indie”, mesmo que ninguém tenha bem a certeza sobre o que se trata, está aqui um bom disco, bem escrito e que soa deveras a uma alternativa à overdose da música que mais tempo de antena consegue nas rádios e TV’s. E essa sim já se define melhor.

Avliação: 7,7

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Alesana - A Place Where the Sun Is Silent



Artista: Alesana
Álbum: A Place Where the Sun Is Silent
Data de lançamento: 18 Outubro 2011
Género: Post-Hardcore, Screamo
Editora: Epitaph Records
Lista de faixas:

1 – “The Dark Wood of Error”
2 – “A Forbidden Dance”
3 – “Hand in Hand with the Damned”
4 – “Beyond the Sacred Glass”
5 – “The Temptress”
6 – “Circle VII: Sins of the Lion”
7 – “Vestige”
8 – “Lullaby of the Crucified”
9 – “Before Him All Shall Scatter”
10 – “Labyrinth”
11 – “The Fiend”
12 – “Welcome to the Vanity Faire”
13 – “The Wanderer”
14 – “A Guilded Masquerade”
15 – “The Best Laid Plans of Mice and Marionettes”
16 – “And Now for the Final Illusion”

Do outro lado do Atlântico, existem várias bandas do movimento Post-Hardcore/Metalcore/Scenecore/Muitacoisacore com uma vasta base de fãs. O género em si, pende para as inter-semelhanças, mas de quando a quando vai sempre aparecendo uma banda nova que parece já pedir a abertura de alas para se instalar no topo como as bandas do momento. O problema destas bandas de “Rock de eyeliner” é que parecem estar encaminhadas para se encurralarem num género sem saída e reviverem algo semelhante ao Nu Metal.

Já existem algumas bandas que já andam a dar voltas à música para evitar o trambolhão. Muitas largam os berros e os breakdowns para não se associar tanto a um género que ao pegar moda da forma que aconteceu, habilita-se a ter os dias contados. No caso destes Alesana, é aparente que já desde os seus inícios que não têm medo de colocar novas propostas por cima da mesa e isso nota-se ainda mais quando trazem ao mundo um trabalho tão ambicioso como o “A Place Where the Sun Is Silent”. Mas conseguiria encher completamente as medidas de tal ambição?

Álbuns conceptuais já não são estranhos para a banda e neste não pensam menos em grande ao inspirar-se em poesia de Dante. Quer se sinta demasiado a veia infanto-juvenil na música do grupo, não parece haver para já como negar o potencial na escrita lírica e na composição de melodias. O novo investimento parece ser na própria música quando se lhe tenta dar um toque progressivo e com novos arranjos à coisa. Aposta-se em elementos sinfónicos. Aposta-se em coros infantis e até no uso de trompas há interesse. Tinha de tudo para enriquecer.

No entanto, por muito bem-intencionados que fossem esses elementos, acabam por ser algo em vão, quando o ponto de foco acaba por ser o habitual: os duetos limpos/berrados que os dois vocalistas costumam partilhar. E mesmo assim, parecem ter “amolecido” um pouco e dar menos destaque aos vocais berrados – sempre foi algo que se sobressaía, os berros eram mais extremos que os usuais – e o ponto fulcral parece ser mais à volta da voz limpa de Shawn Milke e até dos vocais femininos convidados de Melissa Milke.

Logo, teremos canções feitas à base das melodias mais Pop e com o tom de “Sweetcore” como alguns lhe gostam de chamar. Ou seja, facilmente se confundiria com outra banda de Pop Punk fora os berros e as guitarras mais fortes – os dois géneros cruzam-se cada vez mais e já nem parecem primos directos, já devem ser mesmo irmãos e daqui a nada gémeos. Não nego, de maneira nenhuma, o impacto das melodias e dos refrães que se podem encontrar em alguns temas como “A Forbidden Dance”, “Beyond the Sacred Glass”, “Circle VII: Sins of the Lion” ou “A Guilded Masquerade”. Mas também acrescento que existem várias canções que não parecem ter muito para se entranhar.

Mas entra de novo o factor da ambição que precedia a confecção deste disco. Ao fim e ao cabo, acabou por não se sobressair muito em relação à restante discografia e até às restantes bandas do movimento. E se os Alesana tinham vontade de contornar os problemas à volta do género estagnado, parece que ainda vão ter que trabalhar um pouco mais.

Não digo que não haja aqui instintos inovadores, porque há, e se os Alesana pretendem sobreviver após uma possível queda do Post-Hardcore/Screamo como ele tem soado ultimamente, ainda parecem ter genica para dar o salto – factores como os vocais berrados e a inspiração lírica parece afastá-los do “same old”. Mas o disco para o investimento, vontade e, lá está, volto a repetir-me, ambição que tinha, pode muito bem configurar lado a lado com muitos outros discos de Post-Hardcore/Screamo que se façam por lá.

Mas para quem ainda for fã dedicado não há porque desiludir. E se os Alesana ainda conseguirem pôr uns quantos jovens a ler poesia clássica, então ainda vem por bem…

Avaliação: 6,2


segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

[Clássico do Mês] Pink Floyd - The Piper at the Gates of Dawn



Artista: Pink Floyd
Álbum: The Piper at the Gates of Dawn
Data de lançamento: 4 Agosto 1967
Género: Rock psicadélico
Editora: Capitol Records, EMI Records
Lista de faixas:

1 – “Astronomy Domine”
2 – “Lucifer Sam”
3 – “Matilda Mother”
4 – “Flaming”
5 – “Pow R. Toc H.”
6 – “Take Up Thy Stethoscope and Walk”
7 – “Interstellar Overdrive”
8 – “The Gnome”
9 – “Chapter 24”
10 – “The Scarecrow”
11 – “Bike”

É verdade que mesmo podendo-se considerar todos os álbuns de Pink Floyd como enormes clássicos e importantes peças na história da música, não é propriamente o disco de estreia “The Piper at the Gates of Dawn” o primeiro a saltar à mente. Já tenho um certo gosto em escolher álbuns de estreia de algumas bandas já grandes, à prior do seu marcante som estar estabelecido. Viajando um pouco pelo histórico deste blog, pode-se encontrar outro exemplo, quando seleccionei o “Very ‘eavy Very ‘Umble” dos Uriah Heep. Apenas um exemplo, volto a fazê-lo com uma daquelas bandas que consta na camada de topo das maiores bandas que já calcaram a Terra.

Mas porquê este “The Piper at the Gates of Dawn”? Porque não uns passos iniciais no épico Rock progressivo de um “A Saucerful of Secrets”? Ou a experiência ao vivo/estúdio de “Ummagumma”? “The Dark Side of the Moon” ou “Wish You Were Here” facilmente constam entre os melhores álbuns de sempre. Ainda não se fez nada parecido com o “Animals”. O “The Wall” creio que já possa ser suficientemente grande para integrar livros de História. “The Division Bell” parece ter acabado a discografia de originais da banda em grande. Então e a razão para ter escolhido o primeiro? Muito provavelmente foi apenas porque me apeteceu.

E mesmo que este disco não represente propriamente aquele som dos Pink Floyd que lhes garantiu um lugar intocável na história da música, com álbuns altamente influenciais, também tem a sua grandeza intemporal. Muito possivelmente também não soa tão intemporal como os outros, aliás, este tem “60’s” bem explícito a cada segundo de duração. E daí, a sua posição de topo mantém-se mas numa área mais específica. O Rock psicadélico. Tudo o que tenha vindo com tais influências deve muito a esta década, a muitas das suas bandas e também a este álbum.

Um pormenor curioso que tem este álbum é o facto de ter sido muito bem recebido logo ao seu lançamento e ter tido aclamação por parte de críticos da parte mainstream. Ao contrário dos dias de hoje, muitos críticos pareciam ter medo de algo novo e não engraçavam de imediato com muitos discos que sobreviveram bem ao tempo e hoje são míticos. Mas por acaso, a recepção inicial a este disco bastante ruidoso para o seu tempo, composto por variados hinos alucinantes foi boa. E com o decorrer do tempo ainda mais. O seu posto como um epítome do Rock psicadélico já está mais que cimentado.

Também é importante ter em conta a participação de Syd Barrett, lendário membro fundador que é bem lembrado pelos autênticos fãs de Pink Floyd mas que pode passar ao lado de alguns mais distraídos. Antes da integração de David Gilmour e do domínio na escrita das canções de Gilmour e Roger Waters, era Barrett que liderava a banda, mostrando o seu talento mais acima da média. Apenas se manteve com a banda até ao seguinte “A Saucerful of Secrets” mas é daqui que se retêm as melhores memórias do seu trabalho.

Não há muito mais a dizer sobre este disco, para além da sua enorme influência no Rock psicadélico com o seu uso de teclas inconfundível e impecável trabalho de guitarras. As letras falam predominantemente de assuntos menos ortodoxos como temas espaciais, bicicletas, espantalhos, gnomos e outros tipos de contos. E porque não haveria isso de ser o ideal para construir um clássico. Outro pormenor que também se retém é aquele cheiro a velho – no sentido positivo – que se nota na abordagem musical que quase nos manda para os olhos uma camada de pó que havia a cobrir o disco e um gira-discos parado sem utilização. Essa é uma sensação fenomenal.

Como muitos discos de Pink Floyd, este “The Piper at the Gates of Dawn” é uma mina de ouro. E todo o Rock psicadélico, de feeling hippie, com todas as cores com que se pode imaginar da década de 60, está aqui bem representado e pode muito bem servir para exemplificar como soava esse género. Para quem quiser começar a ouvir disto, pode muito bem começar por aqui. E quem quiser começar a ouvir Pink Floyd e seguir numa jornada discográfica que comece também pelo início que assim é que se sente bem todas as vertentes e toda a evolução. Um clássico e ponto.


["Ai Louvado..." do Mês] Hulk Hogan and The Wrestling Boot Band - Hulk Rules



Artista: Hulk Hogan and The Wrestling Boot Band
Álbum: Hulk Rules
Data de lançamento: 1995
Género: AOR, Pop, Hard Rock, Rap
Editora: Select Records
Lista de faixas:

1 – “Hulkster’s in the House”
2 – “American Made”
3 – “Hulkster’s Back”
4 – “Wrestling Boot Traveling Band”
5 – “Bad to the Bone”
6 – “I Wanna Be a Hulkamaniac”
7 – “Beach Patrol”
8 – “Hulk’s the One”
9 – “Hulkster in Heaven”
10 – “Hulk Rules”

Não é por eu ter começado há pouco tempo um outro blog sobre Pro Wrestling que escolhi isto, foi mesmo porque isto já estava na lista de espera há muito tempo. E se há alguma razão para isto não constar em qualquer sítio que aborde álbuns muito maus, das duas uma: 1) Ninguém sabe da existência desta atrocidade, 2) Quem sabe faz de conta que não sabe que esta coisa existe, após a experiência traumatizante.

Uma coisa que devemos imediatamente reter: Se um lutador como Hulk Hogan tinha uma popularidade enorme no seu tempo – ao ponto de ter a sua própria série animada e camiões de merchandise que facilmente se classificaria também como lixo – nada indica que só por isso já possa gravar um disco. Mesmo com o infeliz facto de que, tendo chance, qualquer um pode gravar um disco. Colocar wrestler num estúdio então ainda pior ideia seria – nem todos são o Chris Jericho que ainda sabe cantar e tem a sua banda, os Fozzy que ainda têm uns discos decentes e também tendo em conta que aquele CD do John Cena poderia ter sido ainda pior. Mas, hey, é o Hulk Hogan, ele pode.

Infelizmente, pôde, mas não devia e lá se juntou à loucura da “Hulkamania” um CD esquecível. Porque deve ser esquecido, não porque é fácil de esquecer, isto pode ter efeitos profundamente marcantes e alguns dos ouvintes mais sensíveis podem nunca mais ser os mesmos após encontrarem esta relíquia.

Agora imaginem a loucura que era o wrestling e Hulk Hogan na década de 80 com a “Hulkamania” a ser-nos metida pelos olhos dentro. Combinem com o ego gigante de Hogan. Agora passem isso para 1995, quando já poucos queriam saber de Hulk Hogan – pelo menos até à formação da nWo, mas não quero entrar em pormenores, para isso tenho outro blog – quando o wrestling profissional sofreu um abalo e uma queda na popularidade e montes de polémicas à volta de esteróides e outras drogas. Assim já soa bem, não soa? Então para melhorar, imaginem toda a lamechice que existiu na década de 80 – a manchar uma década que ainda teve muita coisa boa, mas isso acontece com todas – desde aquele Hard Rock foleiro, sintetizadores inaudíveis, Raps dolorosos e baladas que fazem chorar – mas de vergonha, não de emoção. Pronto, passem isso também para 1995. Cinco estrelas.

Eu até diria que este álbum foi lançado fora de época por essas razões, mas acho que em qualquer altura seria fora de época. Isto nunca devia ter sido lançado sequer. Mas o Hulkster, inspirado pela morte de um fã, lá quis engrandecer-se um pouco mais e escreveu a música “Hulkster in Heaven”, homenagem ao miúdo que conseguiu ser mais sobre ele mesmo do que sobre o rapaz. E pronto, sai dali uma balada tão mas tão foleira que em vez de parecer algo emocional, só faz rir. Bela homenagem ao pobre rapazinho, uma canção que tanto puxa umas gargalhadas como faz um indivíduo pasmar.

Mas como aquela canção não era suficiente, juntamente com Jimmy Hart – que canta uma grande parte das canções – a sua mulher Linda e mais outro gajo que nunca vi mais gordo, gravaram um CD inteiro porque certamente que o que precisava para se elevar era um álbum de música que soa ainda pior que os bookings do Vince Russo – só mais uma referência inside de wrestling, não faço mais.

Letras horríveis, canções tão lamechas que até embaraçam, plágios aqui e ali sempre que pode – como a WWE tinha os direitos do seu célebre tema “Real American” tiveram que lançar o rip off “American Made” – as tentativas atrozes de Hulk Hogan a fazer rap e todo o conceito de… Bem, “Hulk Rules”, afinal é o título do álbum.

Como não aconselho a ninguém, nem que tenha perdido o juízo, a ouvir isto, fica uma breve descrição de cada canção. Podia descrevê-las a todas duma vez com uma palavra, mas tento manter alguma classe neste blog, logo evito qualquer palavrão ou outro tipo de calão mais forte.

Portanto cá vai: “Hulkster’s in the House” é suposto ser uma canção de Hard Rock para abrir. Muitos anos tardia e soa a sobras de uma banda que por si já seria muito má. “American Made” como já disse, é uma “Real American” disfarçada. “Hulkster’s Back” era tão boa que já nem me lembro mas era capaz de ser o primeiro “rap” do CD. “Wrestling Boot Traveling Band” desafia as leis da lamechice com Jimmy Hart a falar da vida na rua de uma banda – porque isto é cá uma banda, cuidado… “Bad to the Bone”, seria o hino “badass” cantado de novo por Hart… Sigamos em frente, nada a apontar. “I Want to Be a Hulkamaniac” deve ser o rap mais foleiro com o parvo refrão esganiçado “I want to be a Hulkamaniac, have fun with my family and friends”. Tão mau que nem parece verdade. “Beach Patrol” acho que é uma parvoíce qualquer à volta do ego de Hogan e de quantas mulheres o querem e pode ter. “Hulk’s the One” seria uma cançãozinha romântica cantada por Linda Hogan para o marido. Eu ouvi bem ou ela descreve uma relação abusiva, mas mesmo assim ele é o ideal para ela? Pronto, siga. De “Hulkster in Heaven” já falei – mas a letra “I used to tear my shirt, But now you’ve torn my heart” toca mesmo lá no fundo… E acaba com “Hulk Rules”, outra tentativa de hino de Rock, uns quinze anos atrasado.

E pronto, fica aí, agora façam o que quiser que eu ainda estou em fase de recuperação quanto a este CD ou coisa que o valha e devo precisar de lavar o cérebro com lixívia, pegar fogo aos tímpanos e ficar isolado de contacto humano durante dois meses. Só para superar a experiência que foi ouvir isto. Hulk… Fica no ringue. Ou melhor, ficasses no ringue, porque agora nem aí tens muito a dar.



sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Nightwish - Imaginaerum



Artista: Nightwish
Álbum: Imaginaerum
Data de lançamento: 30 Novembro 2011
Género: Metal sinfónico/gótico, Power Metal sinfónico, Folk Metal
Editora: Nuclear Blast, Roadrunner Records
Lista de faixas:

1 – “Taikatalvi”
2 – “Storytime”
3 – “Ghost River”
4 – “Slow, Love, Slow”
5 – “I Want My Tears Back”
6 – “Scaretale”
7 – “Arabesque”
8 – “Turn Loose the Mermaids”
9 – “Rest Calm”
10 – “The Crow, the Owl and the Dove”
11 – “Last Ride of the Day”
12 – “Song of Myself”
13 – “Imaginaerum”

A construção e o “teasing“ à volta da criação deste novo álbum dos Nightwish criavam expectativas para algo de muito grandioso. Alguns mais cépticos ainda se mantinham de pé atrás, ainda sem confiança total em Anette Olzon. Outros esperavam que viesse daí o derradeiro álbum que representasse esta nova fase da banda na perfeição.

A ambição deste registo ficou bem acentuada quando se noticiou a realização de um filme com o álbum a funcionar como banda sonora. Isto permitiu a Tuomas Holopainen poder criar uma obra-prima conceitual com a ideia de um filme na cabeça. O termo “Disney Metal” já tivera sido atribuído várias vezes à banda, mas agora o compositor do grupo tinha mais asas para realmente criar uma banda sonora de um filme de fantasia.

Após os 75 minutos – que passaram num instante – em que se ouve este disco não parece haver um único defeito a apontar em todo o decorrer do épico registo e se haviam falhas a apontar anteriormente, aqui terá que cavar muito fundo para as encontrar. A não ser que ainda estejam em fase de birra por já não haver Tarja – certamente que é menos difícil de ultrapassar os problemas para a banda do que para os fãs, porque eles já seguiram em frente.

Em termos de letras, este pode-se dizer que seja um disco mais livre e com uma fonte diferente, para Tuomas que prefere o tom fantasioso e encarnação de uma personagem à exploração de emoções pessoais para construir as suas composições épicas. Em termos instrumentais temos mais uma vez aquela dose gorda de orquestras que por vezes ofuscam o lado pesado das canções e que torna debatível a categoria onde se inserem. Basta um pouco de raciocínio e ouvido desperto para chegar à conclusão que os Nightwish simplesmente se integram na categoria “Nightwish”.

A forma como todas as canções se encaixam umas nas outras, mesmo envolvendo tantas influências e géneros diferentes também é digna de uma impressionada vénia. Aquele Power Metal sinfónico que contém nos alicerces da banda desde o seu início e aquela veia gótica que também os tornava identificativos anda por aqui na mesma – abordado daquela forma que a banda Finlandesa bem sabe e que se consegue afastar do “standard”. Mas ainda se realçam bem as passagens Folk, experiências com Jazz, a exploração melódica mais Pop/Rock, etc. Ao todo, em vez de aquela comum estrutura de Metal sinfónico que predomina em muitas bandas do género, fica mais uma obra invejável, como li, que passaria por uma banda sonora de algum filme de Tim Burton.

 E mais um dos pontos que aqui existe para se aclamar é o trabalho da voz. Vozes, melhor dizendo. Em primeiro lugar, de Marco Hietala, que cada vez mais tem vindo a engrandecer a sua participação vocal nos trabalhos da banda e já é uma peça indispensável. Por segundo, também tem que se reconhecer um excelente trabalho por parte de Anette Olzon. Mesmo que não queiram dar o braço a torcer que ninguém vos obriga, mas Anette já está mais que integrada na banda, trabalha com um conforto como se já fizesse parte da banda desde sempre e tem um desempenho impecável numa obra escrita já intencionalmente para a sua voz. Consegue chamar a atenção e consegue um trabalho vocal bastante versátil, chegando a encarnar várias personagens. Está tão direccionado à voz da jovem Sueca e tão bem desempenhado que após o ouvirmos, já somos capazes de sentir que isto já não era para a Tarja e achamos que Anette está aqui bem colocada. Ou seja, más notícias para os mais desordeiros na guerra “Tarja vs Anette”: Eles já souberam como avançar.

Com toda esta escrita fabulosa de temas de um modo tão geral, torna-se muito difícil sequer encontrar uma faixa de destaque. Cada canção funciona tão bem como é. Enumero alguns exemplos: “Storytime” é um tema perfeito para promover o disco pré-saída, ideal estrutura para single de promoção e o seu envolvente refrão é daqueles que se recusa a sair da cabeça. E eu, nada ralado. “Ghost River” e o refrão cantado por Hietala, representa a parte mais “pesada” do disco se é que posso dizer isso assim. “Slow, Love, Slow” utiliza umas surpreendentes influências de Jazz antigo. Nem vi o filme, mas ouço isto e imagino a Anette a cantar deitada num piano. Se não estiver, a imagem na mente mantém-se clara. “I Want My Tears Back” provoca a dança com o seu lado Folk bem sublinhado à la “Last of the Wilds”. “Scaretale” soa a um clímax de terror e suspense e não haveria melhor uso para um coro infantil do que o que está aqui presente. O instrumental “Arabesque” aqui como um interlúdio de toda a acção épica. Os maneirismos badalescos de “Turn Loose the Mermaids” ou “The Crowl, the Owl and the Dove”. “Rest Calm” que muito facilmente integraria o registo anterior ou até mesmo o “Once” se trabalhado de forma diferente, mas isto sem soar deslocado. A longa e épica “Song of Myself” que parece ter-se tornado regra no percurso da banda com belíssimas leituras de poemas. E em “Imaginaerum” uma medley em orquestra de todo o álbum para os créditos finais. E quase que vemos um monte de letras a passar-nos à frente ao ouvirmos. E também pode passar um arrepio pela espinha se assim calhar.

Mas uma descrição pouco detalhada e sem ser de todas as faixas, porque senão corria o risco de me tornar repetitivo sobre o quão belas conseguem ser as canções, cada uma delas ou em conjunto. E também convinha evitar babar-me sobre o teclado de tão maravilhado que me encontro com esta obra do início ao fim. Nem tenho bem a certeza se este será “o” álbum de Nightwish, pois representa uma nova fase da banda. Quanto à questão de ser ou não “o” álbum do ano, é discutível, mas muito possivelmente anda por lá perto… Os adoradores de Tarja que me perdoem mas não encontrei um único defeito aqui…

Avaliação: 9,7

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Korn - The Path of Totality



Artista: Korn
Álbum: The Path of Totality
Data de lançamento: 6 Dezembro 2011
Género: Nu Metal, Metal alternativo, Dubstep
Editora: Roadrunner Records
Lista de faixas:

1 – “Chaos Lives in Everything”
2 – “Kill Mercy Within”
3 – “My Wall”
4 – “Narcissistic Cannibal”
5 – “Illuminati”
6 – “Burn the Obedient”
7 – “Sanctuary”
8 – “Let’s Go”
9 – “Get Up!”
10 – “Way Too Far”
11 – “Bleeding Out”

Os Korn são um exemplo de uma banda que tem muito que lutar para se manter relevante no tempo. Principalmente quando o género que eles teoricamente criaram e reinaram não passou de uma moda que hoje já vai a uma distância longínqua. Portanto, o que haveria a fazer para a cada novo disco, fazer jus a um nome já de grande dimensão e manter-se minimamente notório? Aparentemente, Jonathan Davis e Ca. descobriram o Dubstep e acharam que seria boa ideia usar uma larga influência do estilo para compor um novo trabalho. Para isso contacta alguns dos mais populares artistas do género como Skrillex, Feed Me, Kill the Noise, Excision entre outros para ajudar na produção. É uma ideia que soa inteligente no papel mas será que resultaria na prática?

Para já, há que salientar que neste momento, o Dubstep também é uma moda. Já mais antigo do que muitos jovens fãs pensam, a audiência admiradora do estilo pode-se dividir em duas partes: uma com gosto na sonoridade electrónica distorcida, já com o seu tempo dedicado ao género. Tecnicamente, chamar-se-iam os verdadeiros fãs, diga-se assim. A outra é uma multidão adolescente do “I <3 Skrillex” que delira com o som só porque sim e que deixou o Drum and Bass na prateleira – a moda anterior. E para o restante que não ouve – eu incluído, por acaso – acaba por soar tudo semelhante.

Mas a qual dessas duas metades se direccionavam os Korn? Isso era o que ainda não se sabia, mas analisando as críticas e a recepção até agora ao álbum… Não me lembro de ter visto um disco tão polarizador! Uns acham que resultou de maneira maravilhosa, uma experiência com sucesso e um dos melhores discos dos Korn ultimamente. Outros acham que se pegar num monte de esterco e se tentar transformá-lo em música, o resultado seria algo como isto. Não parece haver ali nenhum intermédio, ninguém que ache só um “OK“. Ultimamente um dos maiores exemplos do “adore-se ou odeie-se”.

Passando agora para o meu ponto de vista… Posso dizer que me instalo no lado dos que acham que a experiência resultou. Mas não tão extremista, fico a um nível mais a meio, porque talvez compreenda a reacção da outra metade. O Dubstep, pegando moda da maneira que pegou, pode ser algo intimidador para alguém que já esteja farto de o ouvir. E ainda se for um fã de Korn pior, sabendo que “Korn III: Remember Who You Are” que antecedeu este registo soa a um reencontro da banda com eles mesmos e logo a seguir experimentam algo tão arriscado.

Mas se formos de um ponto de vista mais aberto e dermos uma oportunidade a cada registo novo, independentemente do diferente rótulo que carrega, pode ser diferente. Para começar: Para alguém que realmente ache que o Dubstep soa todo igual – volto a incluir-me eu como um “outsider” do género – existe aqui uma boa abordagem alternativa. A presença forte do “factor Korn” que identifica a banda no meio de todo o “ruído”. Ainda nos aparece aqui por mais que uma vez, um bom refrão que não lembra mais ninguém a não ser Korn – aponto como exemplos o single “Narcissistic Cannibal” que sou capaz de andar horas com ela na cabeça, “Chaos Lives in Everything” ou “Let’s Go” entre mais. A parte instrumental não fica inteiramente entregue aos produtores da parte Dubstep e os Korn ainda dão bom uso às guitarras para criar riffs. E uma etiqueta final da marca Korn: os estalinhos reconhecíveis do baixo tocado no estilo “slapping” encontram-se ao longo de todo o decorrer do disco.

Temos é que encarar que a junção dos dois estilos não está assim tão aleatória e não parece haver uma coisa colada a outra. O processo de mistura e experimentalismo parece estar bem feito, portanto a partir daí não há grandes pecados a apontar. O grande problema é mesmo o risco tomado que do ponto de partida já esperamos que deixe uma boa porção de fãs a torcer o nariz e a desgostar. E também o facto de isto não ser uma ideia que resulte repetidamente, mas sim numa de “one night stand” que se experimenta uma vez e fica ali aquele.

E ainda, concluindo, fica aquela sensação estranha de que tão bem fizeram um regular álbum de Korn como fizeram um álbum de algo totalmente diferente. E como Jonathan Davis disse, “Não fizemos um álbum de Dubstep. Fizemos um álbum de Korn”. Verdade, mas a outra parte também está lá bem saliente e vai arranhar os ouvidos a muitos…

Avaliação: 7,6


Evile - Five Serpent's Teeth



Artista: Evile
Álbum: Five Serpent’s Teeth
Data de lançamento: 26 Setembro 2011
Género: Thrash Metal
Editora: Earache Records
Lista de faixas:

1 – “Five Serpent’s Teeth”
2 – “In Dreams of Terror”
3 – “Cult”
4 – “Eternal Empire”
5 – “Xaraya”
6 – “Origin of Oblivion”
7 – “Centurion”
8 – “Im Memoriam”
9 – “Descent Into Madness”
10 – “Long Live New Flesh”

E os Britânicos Evile já vão no seu terceiro álbum de originais. Parte de um movimento do Thrash Metal com uma vibe mais “old school”, quando muitos sentiam que o Thrash Metal como o conhecemos já tinha dado as suas cartas todas e já tinha passado o seu momento: eis que se apresenta um conjunto de bandas com vontade de reerguer e abraçar o Metal extremo e rápido que se andava a desfrutar há umas décadas atrás.

No entanto, a primeira tendência que há a reagir é a do que “está feito está feito” e que o que se devia tentar era algo novo e não cópias de clássicos, soando exactamente a isso. Logo, por muito bons que fossem os dois anteriores discos dos Evile, por muito boas que fossem as malhas que lá se encontrassem, a ideia de muitos de que o Thrash Metal puro já está moribundo permanece e para fazer discos desse género já cá tínhamos os antigos – Overkill, por exemplo, recentemente deram-nos um álbum soberbo.

Tentar algo novo mesmo com a linha do “Old School Thrash”. Porque não? É arregaçar as mangas, trabalhar e tentar. Logo, à primeira audição este disco parece seguir a mesma regularidade dos discos anteriores. Os temas são maioritariamente construídos à volta da rapidez dos riffs, a fúria de uma bateria técnica, vocais poderosos de erguer o punho. Na voz há muita influência de Slayer ou Metallica, o que se torna óbvio, pois estas são as principais influências e mestrias agarradas pelo grupo Britânico, a principal escola da banda.

A uma audição mais atenta, já parece sentir-se uma nova onda formando-se lá por trás. Há um “feeling” diferente nas melodias, há um certo toque que parece dar um outro passo fora da caixa do Thrash/Speed da velha guarda. Cheguei a ler noutros textos críticos que se detectava uma influência de actos mais obscuros como Celtic Frost. É bem possível que se utilize um outro acto influente diferente, mantendo-o ligado à fórmula habitual para fazer o truque de variar sem se abalar tanto.

Outro factor de sublinhar no que diz respeito ao desenvolvimento positivo da banda neste disco é o maior impacto de melodias. Os dois discos anteriores, mesmo com a sua devida aposta no factor melodia/refrão, eram mais feitos à base de um descarregar de riffs rápidos, ou seja, faixas de abanar a cabeça durante toda a sua duração. Em “Five Serpent’s Teeth” já há uma certa concentração em criar umas melodias que se armazenem no ouvido durante algum tempo pós-audição. Casos como o single “Cult” ou a conclusiva “Long Live New Flesh” podem até ser cantados em concerto, nem que seja só para descansar um pouco o pescoço.

É claro que são pormenores que não engrandecem tanto a banda ao ponto de terem um pique de genialidade representado neste registo e provavelmente em termos de impacto histórico, os Evile não serão talvez exemplo de banda que se erga muito para além da nota de rodapé. E para quem não der atenção aos pormenores anteriormente destacados, soa a um simples colectivo de malhas aceleradas. Mas o pessoal que esperava o disco também não pedia mais que isso…

Avaliação: 7,9


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Lou Reed & Metallica - Lulu



Artista: Lou Reed & Metallica
Álbum: Lulu
Data de lançamento: 31 Outubro 2011
Género: Avant-Garde Rock, Noise Rock, Metal Experimental, Spoken Word
Editora: Warner Bros. Records, Vertigo Records
Lista de faixas:

CD1:
1 – “Brandenburg Gate”
2 – “The View”
3 – “Pumping Blood”
4 – “Mistress Dead”
5 – “Iced Honey”
6 – “Cheat on Me”

CD2:
1 – “Frustration”
2 – “Little Dog”
3 – “Dragon”
4 – “Junior Dad”

Demorei mas mais tarde ou mais cedo tinha que falar de um dos álbuns mais marcantes do ano 2011. E não propriamente pelas melhores razões. Mas começo já por dizer de uma vez: Isto não é o sucessor de Death Magnetic, é apenas uma colaboração e em continuidade funciona mais como um álbum de Lou Reed que acontece ter os Metallica como banda de back-up.

Mas não é por isso que o nome Metallica deixa de estar associado. E se há uma boa parte de gente que realmente gostou, há uma parte ainda maior que o achou atroz. Mas acredito que seja maior ainda a quantidade de pessoas que não sabem o que raio aconteceu por aqui. Isto vem do homem que nos deu o “Metal Machine Music”, mas não é por isso que se deixa de coçar menos a cabeça.


A primeira ideia é a de que se usou um instrumental ao estilo Metallica. Em seguida, Lou Reed fala por cima das faixas instrumentais. Oh Diabo… É isto? No entanto, começam a aparecer melodias… Umas partes cantadas por James Hetfield e assim à primeira tem um certo som “Load”. Então o som disto é Metallica de 90’s com uma narração por cima? Também não, à medida que se desenrola e se estende por mais de uma hora, com canções longas, fica aquele sentimento ruidoso, repetitivo, uma certa monotonia propositada. Ao fim e ao cabo, como é isto mesmo? Nem se sabe.


Depois ainda tem as letras. Baseadas numa peça, talvez já se fosse esperar algo abstracto. Escrito por Lou Reed? Temos festa. “I am the table” ou “Spermless like a girl” são exemplos de versos que me lembro que se encontrem ao longo deste bizarro disco. Dão-lhe um tom cómico mas no meio de música tão obscura e ruidosa que carrega um peso mas não o tipo de peso que se associa aos Metallica, transforma-se num simples “Que diabo se passou aqui?”.

Aliás, é essa a expressão que pode resumir todo o disco, que até se pode classificar como “outsider music”, aquele tipo de arte marginal vanguardista que foge a regras de lógica e a sua composição mais pesada – muitos acreditam que algumas das partes instrumentais davam para umas boas malhas – com as passagens faladas por Lou Reed sobrepostas dão a entender que o experimentalismo aqui presente foi mais de colagem do que um de composição.

No entanto, este tipo de arte é direccionado a quem? Aos fãs de Metallica, não me parece. Lou Reed afirma que não lhe resta mais nenhum fã desde “Metal Machine Music”, logo no seu ponto de vista não é para os seus fãs, se ele já acha que nem sequer os tem. Para alguém que tenha a paciência de ouvir o disco vezes suficientes até o perceber verdadeiramente? Provavelmente, mas não são muitos os que o ouvem à primeira e encontram algo para o querer ouvir de novo. Tentar encontrar algo que seja já parece difícil.

Ao fim e ao cabo, tenho aqui um texto confuso, mas que tem a ver com o álbum. As opiniões que predominam são as de que o disco vale tanto como um almoço inteiramente composto por marisco… Já depois da fase de digestão completa. Outros acham que é uma peça genial. Eu por acaso, acho que nem um nem outro, acho que o álbum foi mesmo feito para não se saber que raio de emoção reter dele.

Volto a lembrar: Isto não conta propriamente como um álbum de Metallica. Só para os fãs ficarem mais descansados e os fanboys ganharem discussões sem sentido. Mas ficou aqui um texto confuso, sobre um álbum mais ainda… Só sei que, I AM THE TABLE!

Avaliação: 5,1


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

In Legend - Ballads 'n' Bullets



Artista: In Legend
Álbum: Ballads ‘n’ Bullets
Data de lançamento: 20 Maio 2011
Género: Piano Metal
Editora: SPV
Lista de faixas:

1 – “Heaven Inside”
2 – “Pandemonium”
3 – “Elekbo”
4 – “At Her Side”
5 – “Vortex”
6 – “Life Is Up to You”
7 – “The Cleaner (Inclusive Remedy)
8 – “Yue”
9 – “Soul Apart”
10 – “Stardust”   (com Inga Scharf dos Van Canto)
11 – “A Hanging Matter”
12 – “Prestinate”
13 – “Heya”
14 – “Universe”

O Metal é um género tão abrangente que consegue tomar formas incontáveis e cada vez mais queremos algo totalmente novo, algo que nos surpreenda. Se “estudarmos” bem profundamente a matéria do género, apercebemo-nos que provavelmente também é aquele com as fronteiras mais longínquas, o que se consegue esticar para além de aquilo que imaginámos. Um género que obriga realmente a que se criem vários subgéneros devido às diferenças entre grupos que podem ir de um extremo ao outro.

E estou com esta conversa toda, por algum motivo. Talvez pelo facto de apresentar mais uma banda que se insira no Metal, sem utilizar uma única guitarra. Sim, digo mais uma, temos que nos lembrar de bandas como Apocalyptica – violoncelos -, Van Canto – voz -, Om – apenas com baixo – ou uma boa quantidade de bandas de Dark Ambient ou Black atmosférico que se baseiem em sintetizadores. Introduza-se um exemplo recente: In Legend, cuja música de tons metálicos baseia-se no piano.

Pormenor curioso é o facto do vocalista, pianista e líder deste conjunto seja o Alemão Bastian Emig, que também se conhece como sendo o baterista dos Van Canto, aqueles que também não precisam de guitarras para o seu Metal A Cappella. Logo, assim ao primeiro julgamento, até dá a entender que o homem tem qualquer coisa contra guitarras. Ou então tem gosto por coisas pouco ortodoxas e gosta de dar algo novo a conhecer. Engraçado é como ele, de forma meia inocente meia propositada, afirma que apesar de tudo, nenhuma das suas bandas procura uma “gimmick” e simplesmente faz música pesada simples, com o que tem. Mas como pode esta música orientada por piano soar a Metal?

Primeiro de tudo, não se deve esperar que se toque piano aqui como num recital e a intensidade com que se “bate” nestas teclas permite dar-lhe um passo mais para se afastar do conceito de música clássica suave – sim, porque música clássica já conseguia ser música pesada antes de isso realmente existir. A existência de uma boa bateria e um baixo ajuda a dar-lhe o tom rítmico que familiarize mais com o género. A voz áspera, que foi várias vezes apontada como factor negativo por ouvintes de mente aberta que não se sentiram incomodados pela ausência de guitarras, também lhe dá aquele tom menos “limpo” e ríspido que o torna agressivo.

Não é Metal vulgar, nem é isso que devia ser mas tem os elementos reunidos para se aguentar como uma banda do estilo, com intensidade suficiente – na música “Vortex” que segue o conceito de falsa música ao vivo, fala-se em moshpit. E porque não? É só experimentar. Para além disso, também há factores melódicos que podem fazer acentuar algumas variadas influências de Power ou Doom e alguns traços de Katatonia, Paradise Lost ou Anathema podem estar presentes – acabam por ser os traços Doom que mais se acentuam.

Um obstáculo que outros críticos apontam que impeça a totalidade da qualidade do disco é a sua extensão, achando que uma hora com 14 temas talvez possa ser muito, mas essa parte acho que talvez seja mais subjectiva. A energia do disco, para mim começa e atinge o seu pique nos primeiros três temas, “Heaven Inside”, “Pandemonium” e “Elekbo” e para mim estão logo aí os melhores temas do disco e demonstram uma boa cabeça para as melodias por parte de Bastian. Mas se preferirem uma abordagem mais suave ao piano sem ser este “teclar” grave e forte, “Yue” é um lindíssimo instrumental com o piano tocado na forma mais tradicional. E ainda há um lado mais dócil a apresentar com a participação de Inga Scharf – sua parceira nos Van Canto – em “Stardust” porque não há como dizer não a uma belíssima voz feminina.

É isto que destaco, mas é claro que as preferências dos temas vão variando, e a questão de existir ou não material para encher creio que seja mais subjectiva. E esta banda se for para durar, pode eventualmente pecar por continuar a soar muito igual. Mas para já, como estreantes, soa muito bem e uma boa lufada de ar fresco. Se acharem que Metal sem guitarras simplesmente não é Metal, tudo bem, não liguem a estes. Mas gosto de acreditar na comunidade metálica como uma de mente bastante aberta, que não fica restrito a apenas uma coisa, nem tem quaisquer barreiras – a não ser que tenham parado há umas décadas atrás ou digam que “só ouvem Metal” para parecer cool, há de todos os casos.

Avaliação: 8,4

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Winds of Plague - Against the World



Artista: Winds of Plague
Álbum: Against the World
Data de lançamento: 19 Abril 2011
Género: Deathcore
Editora: Century Media Records
Lista de faixas:

1 – “Raise the Dead”
2 – “One for the Butcher”
3 – “Drop the Match”
4 – “Built for War”   (com Jamey Jasta, dos Hatebreed)
5 – “Refined in the Fire”   (com Mattie Montgomery dos For Today)
6 – “The Warrior Code”   (com Ultimate Warrior)
7 – “Against the World”
8 – “Monsters”   (com Drew York dos Stray From the Path)
9 – “Most Hated”
10 – “Only Song We’re Allowed to Play in Church Venues”
11 – “California”   (com Martin Stewart dos Terror e John Mishima)
12 – “Strenght to Dominate”

Os Winds of Plague são daquelas bandas cujo género demográfico que os segue é reconhecível com facilidade e o facto de serem ou não duradouros é questionável e parte mais do ponto de vista pessoal de cada um. Quanto aos seguidores, não é de admirar encontrar fãs da banda que nos concertos andem aos encontrões e que de vez em quando lá façam o seu ritual de abanar de braços e pontapés no ar. Encaixam no género.

A música da banda American também vai de encontro à ideia visual a que se associa e muito directamente: A energia que cospe a cada tema é daquela de “testosterona juvenil” e até o visual da banda reforça isso – a presença de teclistas femininas também ajuda nisso, olhem para elas. Os temas baseiam-se no simples Deathcore que cada vez mais se esbarra na vulgaridade, com vocais guturais agressivos e breakdowns poderosos. O que esta banda acrescenta para se distanciar um mínimo das outras é o uso dos sintetizadores para sons sinfónicos, mas também já não soa novo.

E é aí que se encontra o principal pecado de bandas/discos como a apresentada: A banda já vai no seu quarto álbum de originais e não parecem ter saído do sítio. E depois de algum tempo sem se movimentarem começam em vez disso a cair no aborrecido e previsível. A parte do “previsível” possivelmente já está presente em maioria das bandas mais populares do género, agora falta sabermos quanto tempo para se tornar um puro aborrecimento pegado.

Talvez um pouco alarmante seja poder-se afirmar que este disco – sendo já o quarto, como já disse – pode já saber um pouco inferior aos outros. Os temas, por muito brutais, enérgicos e chamativos à moshpit que sejam, soam semelhantes a muitos outros da banda e de outras bandas. Isto no futuro pode começar a fazê-los cair no “cansaço” e é aí que se estraga tudo. “Refined in the Fire”, por exemplo, até é uma boa malha, dá para bater o pé, abanar a cabeça até, se para aí se quiserem virar. É o riff que mais se entranha, mas é o riff também que mais denuncia a música como “mais uma”.

Também há alguns pontos interessantes no disco como a Interlude “The Warrior Code” narrada pelo lendário wrestler e ex-Campeão Mundial, Ultimate Warrior, que lhe dá um certo tom épico que combina com a capa do álbum – que parece destoar um pouco do som em geral.

Mas assim como há coisas interessantes a apontar, também existem outras para esquecer, como “California” que soa a um autêntico tiro ao lado na tentativa de fazer uma canção de Rapcore e cuja abordagem “badass” do tema perde-se ali num mar de paródia acidental.

Logo, com um disco que pouco ao nada acrescenta ao género e ao repertório da banda, fica aquela sensação de insipidez ao final, quando percebemos que mesmo que tenha sido um álbum pesado, porreirinho para dar uns saltos, não se encontra nada para nos querer fazer ouvi-lo de novo. Se o que aqui está já é o suficiente para vos encher as medidas, então óptimo, mas numa indústria tão repetida que cada vez mais se pede inovação, fica pouco retido daqui.

Portanto se a banda não se quiser deixar meter em apuros e deixar-se ir com o Metalcore e o Deathcore que não têm mãos suficientes para agarrar-se a um futuro longínquo – perguntem ao Nu Metal como é que ele as passou – devia procurar fazer algo mais que este “Against the World”. 

Avaliação: 5,7

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Alice Cooper - Welcome 2 My Nightmare



Artista: Alice Cooper
Álbum: Welcome 2 My Nightmare
Data de lançamento: 13 Setembro 2011
Género: Hard Rock, Heavy Metal
Editora: Bigger Picture Music Group
Lista de faixas:

1 – “I Am Made of You”
2 – “Caffeine”
3 – “The Nightmare Returns”
4 – “A Runaway Train”
5 – “Last Man on Earth”
6 – “The Congregation”
7 – “I’ll Bite Your Face Off”
8 – “Disco Bloodbath Boogie Fever”   (com John 5)
9 – “Ghouls Gone Wild”
10 – “Something to Remember Me By”
11 – “When Hell Comes Home”
12 – “What Baby Wants”   (com Ke$ha)
13 – “I Gotta Get Outta Here”
14 – “The Undeture”

Alice Cooper é daqueles artistas – ou banda, como preferirem, ambos são válidos – que é marcado pelos seus passados sucessos e é recordado nostalgicamente como um intérprete dos antigos. É verdade que é, mas também é verdade que não é por isso que Cooper deixa de trabalhar e ainda vamos tendo vários lançamentos discográficos com alguma assiduidade.

Após a sugestão de criar uma sequela ao último registo de 2008, o “Along Came a Spider”, o mítico produtor Bob Ezrin – que ajudou Cooper a trabalhar em imensos dos seus discos – propõe em vez disso que se crie uma sequela para o icónico álbum “Welcome to My Nightmare”, de 1975. Há algo em sequelas discográficas que parece não resultar, quando se tenta continuar uma história que já estava suficientemente épica. Mas o conceito de “Welcome to My Nightmare” difere do usual: cada faixa representa um pesadelo diferente de uma personagem. Trinta e seis anos depois, e cria-se “Welcome 2 My Nightmare” com continuação de mais pesadelos, que Alice Cooper afirma ter elevado ainda mais a fasquia.

A acrescentar à abordagem sinistra ao mesmo tempo que cómica de Alice Cooper em mexer em assuntos no campo do terror e outros afins, temos uma variedade de outros músicos convidados. Alguns membros da sua banda dos tempos da velha guarda. Rob Zombie com vocais secundários em “The Congregation”. Um solo de guitarra do bizarro guitarrista John 5 que já conta com variados actos no currículo, entre eles Marilyn Manson. E como Alice não esconde a admiração que tem por várias artistas da música Pop actual, até Ke$ha impressiona aqui com um dueto em “What Baby Wants”.

Estes músicos da velha escola, assim como outros mais recentes, faz com que haja uma certa mistura de “vibes” e “feelings” e dá um certo tom característico a Alice Cooper, que sempre gostou de ter a certeza que os seus discos ainda soavam actuais mesmo que o toque “old school” houvesse lá por perto. Daí que este disco, tenha ingredientes habituais na marca Alice Cooper de sempre – os seus temas líricos serão sempre seus – mas tenha o modernismo bem reforçado. De tal forma, que até perdoamos um pouco o uso de Auto-Tune em “I Am Made of You”. Um pouco, não totalmente, porque serve mais para dar um efeito de “character” do que para corrigir ou porque é giro.

Com estas características já palpáveis, há o caminho para fazer um bom disco. Só falta o estilo sonoro e a forma como se vai abordar cada faixa. Seria num estilo contínuo de Heavy Metal tradicional como fazia nos seus discos da década de 80? Hard Rock com tons progressivos e psicadélicos como na década de 70? Nem por isso, Alice Cooper parecia ter muita ambição em fazer um dos seus melhores álbuns em muito tempo, logo há uma boa salada de influências: Desde ao puro e simples Hard Rock/Heavy Metal da base, ao Roots Rock, com passagens de Rockabilly e uso de Disco – “Disco Bloodbath Boogie Fever” é hilariante. Muita influência de Pop – no dueto com Ke$ha, e posso já dizer que nunca gostei tanto de a ouvir como aí. Muito sentido de humor à mistura – não há como não gostar da parte final de “I Gotta Get Outta Here” – e Alice Cooper afinal trouxe ao mundo uma excelente sequela.

Quer prefiram o Alice Cooper de antigamente ou não, há que reconhecer a sua vontade e sucesso em arriscar e gosto pela experiência e em acompanhar os tempos sem cair na senilidade da “mera tentativa”. Provavelmente o álbum mais “Pop” da carreira do Sr. Cooper. Mas também acredito que seja dos mais sólidos em muitos anos.

Avaliação: 8,8