segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Serj Tankian - Imperfect Harmonies



Artista: Serj Tankian
Álbum: Imperfect Harmonies
Data de lançamento: 21 Setembro 2010
Género: Rock alternativo, Rock progressivo, Rock sinfónico, Hard Rock, Metal experimental
Editora: Reprise Records, Serjical Strike Records
Lista de faixas:

1 – “Disowned Inc.”
2 – “Borders Are..”
3 – “Deserving?
4 – “Beatus”
5 – “Reconstructive Demonstrations”
6 – “Electron”
7 – “Gate 21”
8 – “Yes, It’s Genocide”
9 – “Peace Be Revenged”
10 – “Left of Center”
11 – “Wings of Summer”

Mais um álbum que já tem mais de um ano. Mas tinha muita coisa acumulada por ouvir e ando a fazer agora tudo duma vez. Este é o “Imperfect Harmonies”, segunda experiência a solo do carismático e talentoso vocalista dos System of a Down, Serj Tankian. E se já os System of a Down eram, no meio das bandas de peso moderado modernas, uma das que mais ar fresco nos traziam no meio de uma era com muitas sonoridades semelhantes na música de peso comercial, assim que se separaram por um tempo, os seus membros não ficaram para trás na criatividade. Percebeu-se isso com os Scars on Broadway, percebeu-se isso com “Elect the Dead”, primeiro álbum de Serj. E foi com esse “Elect the Dead” que deu para entender que Serj Tankian também tinha cartas para dar numa carreira a solo, com um criativo registo bastante credível e sólido, mas não se sabia concretamente o que esperar num sucessor. Não havia um único género musical estabelecido, logo podia existir muito mais que fazer com a mesma fórmula. Mas assim que Tankian se junta com a Orquestra Filarmónica de Auckland, da Nova Zelândia para um registo ao vivo, o “Elect the Dead Symphony”, apercebe-se logo de que sonoridade explorar para o seu novo trabalho. E temos aqui um trabalho sinfónico, com mais alguns toques étnicos de música folclórica/tradicional Arménia e também alguma electrónica. E como fruto, temos aqui um álbum bastante ambicioso mas também cumpridor, ou seja, valeu a pena experimentar tanto e dar passos tão grandes. Toda a música – abordada e tocada pelo próprio Serj, com algumas ajudas de músicos convidados – e todas as diferentes influências em si captadas dão-nos uma atmosfera excelente e a voz de Tankian, que nunca nos deixou nada a desejar e ocasionalmente até nos impressiona, produz as melodias viciantes que por aqui andam e que ajudam a fazer deste disco uma rápida e agradável experiência. Tons “baladeiros” também andam por aqui como em “Beatus” ou “Yes, It’s Genocide” cuja utilização da música tradicional Arménia em conjunto com a sua língua numa narrativa que aponta falar-nos do genocídio no país, é capaz de arrepiar o ouvinte mais sensível. E ao longo de todo este rápido disco, temos deste tipo de música cujas suas variadas influências implodem numa obra de arte que não procura rótulo e nas letras já habitualmente políticas do vocalista Arménio-Americano também parece haver uma pequena evolução, pois aqui parece haver algo mais filosófico do que simplesmente protestante. E com tantas sementes identificáveis, a originar um fruto tão difícil de descrever, apenas temos um disco belo que demonstra que Serj Tankian não é apenas um vocalista louco que gosta de gritar, cantar rápido em falsetto e saltar enquanto exclama “Banana banana banana banana, Terracotta Pie” ou “Pizza pizza pie!” repetidamente – já todos sabíamos que ele era muito mais do que isso e mesmo assim essas canções aí apontadas são verdadeiramente um espectáculo. E mesmo que se queira bastante um álbum novo de System of a Down – que realmente caía muito bem – enquanto forem saindo discos assim, aguenta-se bem a espera.

Avaliação: 8,7



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Motorhead - The World Is Yours



Artista: Motorhead
Álbum: The World Is Yours
Data de lançamento: 14 Dezembro 2010
Género: Heavy Metal, Hard Rock, Speed Metal, Blues Rock, Rock and Roll
Editora: Motorhead Music
Lista de faixas:

1 – “Born to Lose”
2 – “I Know How to Die”
3 – “Get Back in Line”
4 – “Devils in My Head”
5 – “Rock ‘n’ Roll Music”
6 – “Waiting for the Snake”
7 – “Brotherhood of Man”
8 – “Outlaw”
9 – “I Know What You Need”
10 – “Bye Bye Bitch Bye Bye”

Existem dois tipos de bandas que seguem uma linha musical contínua baseada na mesma fórmula: Aquelas que começam a chatear passado pouco tempo e implora-se por algo diferente e aquelas que assim o são porque assim o povo as quer. E se os AC/DC andam ali pelo meio com a opinião do público dividida, uma parte para cada lado, os Motorhead são daqueles que exemplificam e representam o segundo caso apresentado. Uma banda daquela que “ou se gosta ou não se gosta” e se realmente se gosta, o que se quer a cada disco é um punhado de malhas dos bons e velhos Motorhead para abanar a caixa craniana. Com este “The World Is Yours” lançado em finais do ano passado completam-se vinte álbuns de estúdio numa invejável carreira que já vai a caminho dos quarenta anos. E no meio dessa longa discografia, vão havendo uns pontos variantes, claro que vão, seja nuns álbuns mais Punk do início, um “Overkill” e um “Ace of Spades” a escancarar as portas para o Thrash Metal que chegaria em pouco tempo, um cru e directo “Orgasmatron”, ou um com tons de peso mais modernos em “We Are Motorhead”. Mas a base mantém-se e a banda de Lemmy pode-se gabar de o fazer não só porque o faz bem, mas porque conseguiu efectuar um trabalho formidável na criação de um estilo próprio que ainda hoje mais ninguém o consegue tocar. Qual a necessidade de os Motorhead mudarem de estilo se o estilo que praticam é o estilo Motorhead? Pronto então, “The World Is Yours” é mais um álbum que desde que carregamos no botão “Play” já sabemos o que esperar e porque assim o queremos: canções de Rock and Roll à antiga – Lemmy até diz que eles não são uma banda de Heavy Metal mas sim de Rock and Roll – com uns riffs bem ruidosos e crus. Uns toques de Blues sem tirar peso e rapidez às canções directas que enchem o decorrer do disco. Música que soa veterana e com tomates, como se fosse a figura de um velho conselheiro com vida cheia de aventuras, simbolizado pela música. E claro, para completar a inconfundível, inigualável e até inimitável voz de Lemmy que certamente terá introduzido todo o tipo de vocal não-limpo que se encontra no Metal extremo de hoje, seja gutural ou berrado – quanto a berros, pergunto-me o que Lemmy achará de uns tais de Brokencyde… - que quando todos o começaram a fazer, tivessem eles a sua maneira criada por eles, Lemmy foi o pioneiro. Se míticos discos como “Overkill”, “Bomber”, “Iron Fist” ou “Ace of Spades” soam a discos influentes que servem de ponto de partida para Speed, Thrash Metal e muitos outros que aí viriam, este “The World Is Yours” apenas soa aos Motorhead a fazer aquilo que melhor sabem, que é serem eles mesmos. Aqui não é preciso inventar, é directo ao assunto, é suposto ser assim. Até porque o álbum é dirigido muito directamente a uma audiência: pessoas que gostam de Motorhead. E mais não é preciso.

Avaliação: 7,8


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

["Ai Louvado..." do Mês] Fast Food Rockers - It's Never Easy Being Cheesy



Artista: Fast Food Rockers
Álbum: It’s Never Easy Being Cheesy
Data de lançamento: 2003
Género: Bubblegum Pop, Dance, Europop
Editora: Better the Devil Records
Lista de faixas:

1 – “It’s Never Easy Being Cheesy”
2 – “Fast Food Song”
3 – “Say Cheese! (Smile Please)”
4 – “I’m Not Going to Tell You Again”
5 – “Running Rings Around My Heart”
6 – “Sail Away”
7 – “Unforgettable”
8 – “9 Times Out of 10”
9 – “Rockers’ Carnival”
10 – “Ghostbusters”
11 – “Kiss Me Quick”
12 – “Strut Your Funky Stuff”
13 – “The Adventure”
14 – “Stompin’”
15 – “One Step Away From Love”

Eu avisei que isto ia piorar. Se não conhecem esta relíquia, abençoados sejam vós pela vossa sorte em nunca se terem cruzado com nenhuma “obra” daqui retirada. Se já conhecem, os meus sinceros sentimentos, sei bem o quão dolorosa pode ser a experiência de ver e ouvir tal coisa. Esta “banda” ou coisa que o valha já cá não anda e apenas duraram um ano. Quer se tenha crença religiosa ou qualquer tipo de fé ou não, é caso para dizer “Graças a Deus” de qualquer maneira. É que uma parte da Europa já apanhou um valente cagaço quando a “Fast Food Song” se tornou um hit e tínhamos 3 Pokémons estranhos a encorajar-nos a empanturrar-nos em tudo o que fosse fast food. Ou seja, alguém teve a brilhante ideia de investir dinheiro em 3 jovens de bom aspecto – leitores do sexo masculino que virem o vídeo de “Say Cheese!” conseguem distrair-se um pouquinho da música, creio eu – e produzir um single de Eurodance do mais foleiro que se pode fazer. E se a mente brilhante que escreveu tal consegue escrever mais, que venha de lá um disco inteiro, 15 faixas. E correndo o risco de fazer este artigo parecer muito religioso, ouso dizer na mesma: “Deus me livre!”. Sem querer descrever muito o que se passa para aqui – eu nem ouvi tudo o que se passa por aqui, muito obrigado, não é de todo necessário – acho que ao verem o vídeo daquele “espantacular” single já têm suficiente. O resto do disco seria instrumento de tortura, sofriam com o single, o restante era para multiplicar a dor. Mas não obrigo – aliás, nem aconselho – ninguém a ouvir algo semelhante sequer. Uma coisa que sei é que há por aqui coisas estranhas como rip-offs de rip-offs de algo muito mau. Sim, são assim tão bons. Numa estranha experiência de pesadelo bizarro em que ouvia “Rockers’ Carnival” havia ali um estranho plágio de Madonna que me dava a sensação de que tinham pegado em “La Isla Bonita” e a tinham feito passar por uma trituradora e de seguida num liquidificador e que ficara algo assim. E por aí fora, o resto também será um prato jeitoso, com certeza. Ao fim e depois de conseguirmos fechar a boca e limpar a baba do estarrecimento que se experiencia ao assistir a “Fast Food Song”, chegámos à conclusão de que isto ter durado um ano foi muito. Ter existido sequer foi muito. E a não ser que a vossa professora de Inglês no âmbito da matéria da disciplina relacionada com fast food queira passar esta música num exercício, e que para isso prefira CD’s originais, não há mais nenhuma razão para se querer comprar este single ou este álbum. Mas pronto, o perigo já passou, estes 3 já estão a tentar viver vidas normais sem ser numa carrinha colorida a oferecer pizzas e hambúrgueres e a fazer publicidade à KFC e ao McDonalds, com danças capazes de fazer até uma criança sentir alguma vergonha. Os leitores masculinos se quiserem lá podem pesquisar pelas duas moças, que uma delas acho que até tem uma página MySpace ou assim. E na segunda edição que realizo desta secção, apenas pergunto… Será que fui longe demais?


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Lordi - Babez for Breakfast



Artista: Lordi
Álbum: Babez for Breakfast
Data de lançamento: 10 Setembro 2010
Género: Heavy Metal, Hard Rock, Shock Rock
Editora: Sony BMG, The End Records
Lista de faixas:

1 – “SCG5: It’s a Boy!”
2 – “Babez for Breakfast”
3 – “This Is Heavy Metal”
4 – “Rock Police”
5 – “Discoevil”
6 – “Call Off the Wedding”
7 – “I Am Bigger Than You”
8 – “ZombieRawkMachine”
9 – “Midnite Lover”
10 – “Give Your Life for Rock and Roll”
11 – “Nonstop Nite”
12 – “Amen’s Lament to Ra”
13 – “Loud and Loaded”
14 – “Granny’s Gone Crazy”
15 – “Devil’s Lullaby”

Banda que já pôde experimentar um pouco de fama ao dar a vitória ao seu país, Finlândia no Festival da Eurovisão. Uma surpresa ali no meio, e ganhar uma banda de cinco monstrengos a tocar música pesada certamente que se sentiu refrescante no meio de tanto acto foleiro de Eurodance que a Eurovisão muito gosta de nos dar. Grupo com uma recepção mista na população de peso, e com algumas controvérsias pelo meio como o playback mal sucedido em pleno festival ou a velha questão da imagem aperaltada superior à musica em si. Mas uma banda que consiga fazer o Eládio Clímaco espumar-se de raiva já merece respeito. O certo é que os Lordi já cá andavam antes do festival, e assim continuaram depois, desfrutando um pouco mais da fama na altura do “The Arockalypse” e com “Hard Rock Hallelujah” a fazer deles quase “one hit wonders”, mas nunca pararam e em 2010 sai um disco com sentido de humor, “Babez for Breakfast”. Porque só num disco com um sentido de humor mais linguarudo e algo infantilóide no meio de Heavy Metal da velha escola é que letras como “Babez for breakfast, bitches for brunch” é que fazem sentido e são aceites. E é sobre esse Heavy Metal à antiga que se constrói todo este disco e até o conceito dos Lordi. Talvez uma banda perdida que podia ter feito parte da década de 70 com outros actos teatrais como Alice Cooper ou KISS – nomeados como uma das principais influências do grupo. Ou até na década de 80 juntamente com toda a loucura do Hair Metal, só que mais berrante e flamejante com uns monstros medonhos em palco, mais medonhos ainda que as camadas de maquilhagem, calças justas e laca excessiva que existia no movimento. Com essa adaptação ao passado, se são uma banda à antiga ou uma banda datada, o vosso gosto é que decide como é que acham mais justo. Porque os temas presentes neste “Babez for Breakfast”, cantados pela rouquidão reconhecível do intimidador Mr. Lordi, são temas assim mesmo, que soam àqueles êxitos que reinavam o tempo de airplay da MTV na década de 80, mas cujo feeling clássico pode ser bem aceite no presente – nos dias de hoje, parece haver por vezes algo no modernismo que nos faz afastar-nos, ou então o moderno hoje em dia é o antigo. “This Is Heavy Metal”, “Rock Police”, “Give Your Life for Rock and Roll” – cujo tema de devoção ao “Rock n’ Roll” não ajuda a afastar-se das bandas da velha guarda – ou “Nonstop Nite” são canções que suam 80’s por todos os poros. “Call Off the Wedding”, a balada do registo – não tão forte como a memorável “It Snows in Hell” – já podia ter sido ecoada em estádio há mais de vinte anos atrás se alguém já a tivesse escrito – digamos Bruce Kulick, ex-guitarrista dos KISS que colaborou na escrita dessa música. E as humorísticas “Babez for Breakfast” e “Granny’s Gone Crazy” podiam muito bem ter um daqueles vídeos parvos em rotação pesada no Headbangers Ball da MTV nos seus dias iniciais. É claro que tendo em conta o que a banda tenciona fazer, é claro que este disco, este conjunto de temas encontra-se muito bem conseguido, com o sentimento ideal bem capturado e um seguidor aceitável dos álbuns anteriores. A banda gosta de ter uma imagem excêntrica – os fatos de monstros são mesmo muito porreiros, digo já - e de fazer umas quantas malhas simples. Se não é essa a vossa praia, sigam, não vão por aqui.  Se derem valor a isto, os Lordi sabem como vos satisfazer o apetite e garantem que se divirtam a ouvir isto, tanto quanto eles se divertiram a gravar. Ah sim, e a capa também está qualquer coisa de espectacular…

Avaliação: 7,2


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Head:Stoned - I Am All



Artista: Head:Stoned
Álbum: I Am All
Data de lançamento: Outubro 2010
Género: Thrash Metal
Editora: Major Label Industries
Lista de faixas:

1 – “Through All the Doubts”
2 – “Yet Another Flaw”
3 – “Within the Dark”
4 – “Driven by Fear”
5 – “Invisible”
6 – “Blood Ties”
7 – “Absence of Closure”
8 – “Hope Lies Dead”
9 – “Reaching the Abstract”
10 – “I Am All”

Apesar da cena do Metal nacional estar bem repartida e termos um pouco de tudo para nosso consolo, talvez seja seguro dizer-se que quando se fala em Thrash Metal nacional, o primeiro que se pense é em Thrash Metal moderno com alguns traços de Hardcore que tem vindo a predominar não só aqui como lá fora. Portanto é possível que ao mencionar-se os Head:Stoned como uma nova aposta no Thrash Metal com o seu EP de estreia lançado há 2 anos e o seu primeiro longa duração há cerca de um ano, sem se ouvir, talvez se emoldure esta banda como mais uma dessas. No entanto é aí que reside toda a diferença e o que pode catapultar estes Head:Stoned – previamente denominados Headstone – para a “zona de atenção” de bandas de destaque que prometam. Ou que neste caso já surpreendam desde o seu início. A banda Portuense toca um Thrash mais à antiga, sem se prender à fórmula moderna, e para ter a certeza que ainda se afasta mais do comum, junta-lhe uns toques de Heavy tradicional e algum Power Metal na voz. Em vez de vocais berrados e guturais, o talentoso vocalista Vítor Franco canta e canta a sério, não se limita apenas a ser um mero vocalista, o que ele faz é cantar verdadeiramente com um trabalho surpreendente a comandar as canções com a sua voz. É na sua voz que se pode encontrar a influência do Power Metal mas sem aqueles exageros que muitas vezes encontramos num dos subgéneros mais batidos do Metal. E enquanto Vítor canta, Pedro Vieira, Nuno Silva e a baixista Vera Sá riffam e não precisam de ninguém a dizer-lhes como o fazer. Mantendo a mesma base de riff em todos os temas e mantendo as canções com anatomias semelhantes, o grupo não se limita e ainda consegue soltar bastante criatividade nos riffs que mesmo ainda sendo simples, são tão saborosos para o ouvido – mistura de sentidos intencional. E já que mencionei todos os membros da banda, não posso deixar de fora o soberbo trabalho de bateria de Augusto Peixoto. Cada membro desempenhando um excelente papel individualmente e funcionando ainda melhor como um todo. É assim que os Head:Stoned, ainda sendo uma banda jovem sentindo agora o sabor do primeiro álbum de estúdio já consegue soar tão madura, tão talentosa e já tão relevante para a cena de peso do país. Os temas fazem-nos abanar a cabeça e bater o pé sem quase nos apercebermos e ao fim, fica uma boa sensação de gozo e que dá vontade de ir ouvir de novo alguns temas como “Through All the Doubts” e as suas primeiras impressões de vocais poderosos acompanhados por riffs de barba rija, “Absence of Closure” que soa tão bom e fresco hoje como soaria há alguns anos atrás, a mais brutal e pesada “Hope Lies Dead” ou a faixa-título com o seu riff a parecer dar uma piscadela de olho a “Symphony of Destruction” e o seu envolvente refrão. Isto, enumerando apenas alguns exemplos, visto que não existe aqui uma única música para encher chouriço. E se já houve bastante ansiedade para o lançamento deste disco após um EP de tão elevada qualidade, como se esperará agora pelo obrigatoriamente fortíssimo segundo álbum? Pena que do nosso país haja pouca projecção para o exterior, porque cá dentro, já têm um lugar de respeito reservado. E merecem-no.

Avaliação: 8,5



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Linkin Park - A Thousand Suns



Artista: Linkin Park
Álbum: A Thousand Suns
Data de lançamento: 14 Setembro 2010
Género: Pop Rock, Rock electrónico, Rock experimental
Editora: Warner Bros. Records
Lista de faixas:

1 – “The Requiem”
2 – “The Radiance”
3 – “Burning in the Skies”
4 – “Empty Spaces”
5 – “When They Come for Me”
6 – “Robot Boy”
7 – “Jornada del Muerto”
8 – “Waiting for the End”
9 – “Blackout”
10 – “Wretches and Kings”
11 – “Wisdom, Justice, and Love”
12 – “Iridiscent”
13 – “Fallout”
14 – “The Catalyst”
15 – “The Messenger”

Já mais de um ano depois do lançamento do álbum, decido então ouvi-lo e comentá-lo. Com apreciações mistas e uma divisão que quase de forma geral se pode caracterizar como sendo adorado por muitos críticos e desprezado por muitos fãs, é essa a recepção a “A Thousand Suns”, quarto álbum dos Americanos Linkin Park. Certamente arriscado e com vontade de avançar para além do local onde se situavam na primeira metade da década passada, ao final do álbum, fica aquela sensação no ar, se o que se acabou de ouvir é realmente algo genial ou se é apenas uma ideia que soava bem no papel, mas que na prática se perdeu um pouco. As reacções de fãs têm sido muito mistas, uns adoram-no e acham que este foi o passo certo para uma maturidade na música dos Linkin Park com o amadurecimento simultâneo da base de fãs que os acompanhara no início. Outros vêem isto como um golpe comercial de tentarem manter-se relevantes após o amortecimento do Nu Metal e do Rapcore. Outros dizem que se venderam, mas isso já é indiscutivelmente sem lógica. Nunca se pode afirmar que uma banda que se estabeleceu como uma das várias bandas líderes do movimento juvenil do Nu Metal e que foi uma das que mais lucrou, vendeu e teve airplay na sua época, se possa ter vendido em qualquer ponto seguinte da sua carreira. Já quanto às duas reacções anteriores, é difícil escolher um lado quando ambos têm razões legítimas e ambas as sensações causadas no ouvinte são reconhecíveis e compreensíveis. Porque é isto que o álbum é. Um conjunto de sensações mistas. Mais uma vez, aclame-se a vontade de avançar e a ousadia em arriscar em experimentalismos. Longe já vão os tempos de “One Step Closer”, “Points of Authority”, “Numb” ou “Papercut”. Aqui as canções têm um esqueleto completamente diferente e vai reinando a electrónica e outros arranjos futurístico-presentes que tais. Em vez de um conjunto de canções, é um álbum contínuo bastante agarrado ao seu conceito e que se deve ouvir num todo – eles foram longe ao ponto de lançar a versão iTunes como apenas uma música de 47 minutos. Já sabíamos da capacidade inegável de Chester Bennington em cantar, aqui procura-se salientar isso, permitindo-lhe que a goela descanse mais sem ter que berrar tanto como antigamente – a faixa “Blackout” é a que mais se liga aos seus dias da velha escola, nesse aspecto. Há interlúdios em todo o lado que se possa. E apesar de toda a ousadia e experimentalismo arriscado, ainda parece haver alguma preocupação em agradar às massas e em procurar algum airplay como nos temas “Waiting for the End”, “Burning in the Skies” e “Iridescent”, a acenar a outras que tal como "Leave Out All the Rest" ou "Shadow of the Day" ou "New Divide", que nem de propósito, foram escolhidos como singles. E enquanto existem algumas faixas que dão a sensação de empancar e de deixar um pouco à espera de algo mais que aconteça como “Robot Boy”, a mesmo assim orelhuda “Burning in the Skies” ou a orientada por piano “Iridescent”, também existem aqui bons pedaços de música de se tirar o chapéu como “When They Come for Me” – que para mim, destaca-se à vontade das restantes -, “Blackout”, a bem regada de Rap também como nos seus dias da velha guarda “Wretches and Kings” ou até o enérgico single principal “The Catalyst”. Mas como disse, é daqueles álbuns que ao fim da sua audição fica a questão no ar se seria o ideal para já, e que logo desde o seu início supomos, e no seu final temos a certeza: nem todos se vão encontrar agradados. E enquanto é ainda bem superior ao anterior “Minutes to Midnight” que soava muito arrastado e por vezes até aborrecido, com “A Thousand Suns” ficamos sem saber qual o caminho que os Linkin Park vão tomar para o futuro. É esta a introdução a um novo som, é apenas um aparte experimental ou daqui em diante será só discos semi-vanguardistas sem semelhanças entre si? Álbum que depois de alguma espera se entenderá um pouco melhor como se situa na discografia da banda. Para já, muito muito misto.

Avaliação: 6,6


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

[Clássico do Mês] Type O Negative - October Rust



Artista: Type O Negative
Álbum: October Rust
Data de lançamento: 20 Agosto 1996
Género: Metal Gótico, Doom Metal
Editora: Roadrunner Records
Lista de faixas:

1 – “Bad Ground”
2 – “(Untitled)”
3 – “Love You to Death”
4 – “Be My Druidess”
5 – “Green Man”
6 – “Red Water (Christmas Mourning)”
7 – “My Girlfriend’s Girlfriend”
8 – “Die with Me”
9 – “Bunrt Flowers Fallen”
10 – “In Praise of Bacchus”
11 – “Cinammon Girl”   (cover de Neil Young)
12 – “The Glorious Liberation of the People’s Technocratic Republic of Vinnland by the Combined Forces of the United Territories of Europa”
13 – “Wolf Moon (Including Zoanthropic Paranoia)”
14 – “Haunted”
15 – “(Untitled)”

E para o Clássico do Mês de Novembro escolhi um disco que, ironicamente, refere-se, no seu título, ao mês anterior. Mas não é por isso que este deixa de ser um álbum bem situado temporariamente, pois se há disco – ou estilo de música em geral – que consiga definir tão bem nas suas canções um Outono frio, é qualquer um dos Type O Negative. Ora se neste ano temos um Outono confuso que durante um tempo nos dava ondas de calor e no momento de escrita deste texto se encontra bastante chuvoso, porque não desfrutar de um disco que tão bem represente a estação quase extinta na sua forma mais pura e tradicional? A lendária banda gótica consegue fazê-lo e para isso escolhi este “October Rust” de 1996. Não foi propriamente escolhido a dedo, o legado da banda não deixa propriamente altos e baixos, todos os álbuns são de qualidade semelhantes mesmo que vão soando diferentes. Quase por aleatoriedade, ou simplesmente pelo facto de ser o trabalho de Type O Negative que tenha ouvido mais recentemente, ou talvez até pela referência directa à estação do ano que quis representar, “October Rust” e a sua escuridão melódica completam a minha escolha. Seguidor de um bastante dark “Bloody Kisses”, a banda que já tinha um som próprio procurou personalizá-lo ainda mais, dando-lhe mais melodia, contrastando em alguns momentos toda a melancolia dos temas e arrisco a dizer, comercializando um pouco a música. Ainda se optam por temas longos, alguns temas “nocturnos” mas talvez já não tão vampirescos, por uma atmosfera bastante obscura e por muitos outros factores presentes na música do grupo do falecido Peter Steele e companhia. No entanto, existem aqui umas abordagens melódicas novas, mais orelhudas, mais acessíveis enquanto acompanham a grave voz de Steele, algo que dá a entender que o disco pode ter mais alguma cor para além de todo aquele negro do disco anterior – se conhecerem bem os hábitos da banda, até devem saber que eles têm uma pequena tara com o verde, mas não é disso que falo. Há algo que nos fica na cabeça em “Be My Druidess”, “My Girlfriend’s Girlfriend”, “Burnt Flowers Fallen” ou até na bizarra mas fantástica versão de “Cinammon Girl” de Neil Young, de maneira diferente de outros temas clássicos que antecedem como “Black No. 1”, “Christian Woman”, entre outros. Baixa-se também um pouco a fasquia na agressividade existente em alguns temas e já não há tanta evidência de Thrash Metal ou alguns toques Punk como havia nos primeiros discos. De resto, temos de uma forma geral, aquilo que é necessário para ficar completo um bom álbum de Type O Negative como bem adoramos: a sedutora voz grave de Steele impossível de se confundir com qualquer outra, riffs característicos, o baixo de Steele que também carrega o seu nome a cada acorde, as melodias de que já falei, algum sentido de humor a contrastar outros temas mais obscuros como na estranha e cómica bigamia presente em “My Girlfriend’s Girlfriend”, feedbacks e outros sons que tal que vão sempre aparecendo para serem a cereja no topo do bolo. Portanto nada melhor para acompanhar estes dias chuvosos de Outono do que uma boa audição dispersa deste disco deixando-se levar pela sua atmosfera envolvente e reparámos como uma estação do ano, como um estado climático, como uma situação de três meses foi tão bem colocada num disco – se quiserem, porque eu também ouvi isto no Verão e sabia bem na mesma, mas é só pela combinação e porque se encaixa perfeitamente e acompanha-o na perfeição. Um álbum tenebrosamente belo. E ao Sr. Peter Steele… Que a sua alma se encontre em paz e que continue a cantar canções obscuras e humorísticas com a sua incomparável voz onde quer que esteja…