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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Merzbow - Graft



Artista: Merzbow
Álbum: Graft
Data de lançamento: 10 Março 2010
Género: Noise music
Editora: Cold Spring Records
Lista de faixas:

1 – “graft#1”
2 – “graft#2”

E cá está ele de novo! O homem que se pode dar ao luxo de lançar por volta de 10 álbuns ou mais por ano sem que pareça muito esforço. E se calhar porque não é. Outra maneira de o apresentar seria dizendo que é o homem que faz ruído. Mas como este é um blog sofisticado (?) e que prefere ser mais cuidado no registo linguístico e na sua abordagem de géneros musicais, há que referir devidamente a Merzbow como um artista de música Noise. E falando a sério, é o que ele é, muito provavelmente até, o maior artista de música Noise. O mais normal é que qualquer um diga que isto não é música sequer. Numa definição da palavra “música” é provável que isto não encaixe nos parâmetros e critérios que o significado da palavra carrega, mas abrindo a mente, tem que se abordar este disco cacofónico como uma obra de arte mais brusca, um género musical mais “outsider”. E a maior parte dos leitores provavelmente nem gostam ou viriam alguma vez a gostar disto, é um género com um número de seguidores e apreciadores limitado – se houver algum fã de Merzbow a ler isto que se manifeste, é sempre bom saber que eles vão andando por aqui e por ali e que não se aglomeram apenas num show deste tipo. Para ser sincero, ter ruído electrónico e cacofonia ilógica durante 37 minutos consegue-me chatear menos do que muita coisa que passa pelas rádios. Não cometi o mesmo erro da primeira vez que ouvi música deste senhor – já ouvi e comentei música do artista Japonês em duas ocasiões – ao ouvi-lo com “headphones”. Isso sim é verdadeiramente ensurdecedor. Mas tendo o cuidado de ter apenas todo aquele barulho a dar ambiente, acho que depois das vezes anteriores já nem me afecta tanto. Não penso voltar a ouvir este disco – mas pressinto que venha a ouvir outros – mas que se lixe, não era como alguns que até me davam vontade de ir diminuindo o volume progressivamente enquanto ouvia. A falta de melodia, a falta de consistência nas duas únicas faixas que ocupam este registo limitadíssimo em termos de impressões de cópias até faz com que uma pessoa se distraia. Não há nada ali para nos captar a atenção, a não ser que sejam fãs ávidos de música Noise que ficam ali a ouvir atentamente os ruídos a sobrepor-se uns aos outros numa autêntica batalha electrónica de estrondos distorcidos e outras coisas que tal que se tornam difíceis de descrever. Portanto ainda pode abafar sons indesejáveis que decorram à volta. Mas de resto não serve para muito mais, a não ser, claro, como já afirmei, que sejam apreciadores do estilo de música bruto. Não é o disco que querem guardar no vosso leitor de mp3 quando forem numa longa viagem de camioneta. Mas se tiverem um vizinho muito chato que gosta de vos acordar aos fins-de-semana de manhã com música azeiteira e foleira... Como resposta… Metal já os deve chatear bastante… Mas tentem retribuir com isto…

Avaliação: 5,7



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Merzbow - 9888A


Artista: Merzbow
Álbum: 9888A
Data de lançamento: 19 Setembro 2010
Género: Noise
Editora: 905 Tapes
Lista de faixas:

1 – “9888A Part 1”
2 – “9888A Part 2”

Woo-hoo! Ruído! Nada mais, nada menos do que isso, ruído. Uma abordagem muito simples: cacofonia. Já falei de Merzbow anteriormente – no extinto site “Otaku no Uchi” - , mas para quem não leu, fica aqui de novo a descrição do seu estilo musical: ruído electrónico, sem qualquer melodia – apesar que ele às vezes gosta de experimentar com um pouquinho de melodia – apenas com sons distorcidos que se podem tornar perturbadores e ensurdecedores, muito feedback e longas faixas ambiente, nas quais o único ambiente é uma barulheira de querer fugir. Logo, não vou recomendar isto a ninguém. A não ser que tenha por aí um leitor perdido que seja fã de música Noise. Se houver, seja bem-vindo, se não, normalíssimo, os fãs deste tipo de música não devem ser muito abundantes. O homem, este Japonês Merzbow, já há que reconhecer como um génio deste estilo musical, como um dos seus principais pioneiros, fundadores e dos principais a fazer o género desenvolver-se, já contando com cerca de 300 álbuns no seu currículo. Pronto, temos aqui o mestre do Noise a fazer barulho, a fazer a música dele, fá-lo melhor que ninguém e conhece o seu género como mais nenhum outro consegue. Logo, temos aqui um bom álbum de Noise. Para os meus caros amigos que prefiram uma boa melodia, uma estrutura musical decente, um bom uso de instrumentos musicais, algo audível e de ficar preso ao ouvido… Sigam, isto aqui não é de vosso interesse. Disco gravado em Setembro de 1988, como indicado no título, lançado em formato cassete e limitado a 130 cópias. Apesar de gravado há mais de 20 anos, soaria tão actual naquele tempo como agora, uma das maravilhas da música Noise, é intemporal. No álbum temos 2 faixas, uma com 22 minutos e outra com 20 que sem qualquer divisão entre elas, segue apenas uma estrutura contínua de sons cacofónicos e electrónica distorcida. Paragens e mudanças de “ritmo” é o que se pode encontrar no seu progresso. E era isto que seria pedido para um álbum de Merzbow e nisso não falhou. Nem poderia falhar, estando este indvíduo Japonês a abordar a sua música que ele tão bem conhece e desenvolveu. Logo, tecnicamente, é um bom álbum. Ouvintes de Metal que tenham pais ou amigos chatos que digam que o Metal é barulho, ofereçam-lhe uma pequena dose de discos deste senhor… Eles até vos vão pedir para ouvir a discografia inteira dos Morbid Angel…

Avaliação: 5,4

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Merzbow - Tsubame: 13 Japanese Birds, Pt. 12


Artista: Merzbow
Álbum: Tsubame: 13 Japanese Birds Pt. 12
Data de lançamento: Dezembro 2009
Género: Noise music, Ambiente, Electrónica
Editora: Important Records
Lista de faixas:

1 - “Destroy the Cages”
2 - “Burn Down Research Facilities”
3 - “Escape from Captors”

Todos aqueles que dizem que Metal é barulho, deviam ouvir este álbum. Ou qualquer outro álbum de Merzbow... Para sentirem o verdadeiro poder da música “Noise”. Para serem atingidos com uma valente dose de electrónica distorcida e ensurdecedora, com ritmo absolutamente nenhum. Para ouvirem as longas músicas que servem de ambiente bastante barulhento... Isto sim se pode chamar de barulho. Mas claro que também é música. Merzbow, considerado o “artista mais importante da música Noise” lança montes de álbuns por ano e até hoje registam-se por volta de 240 álbuns de estúdio, sendo bastante difícil de se saber, ao todo, quantos registos já lançou ao todo, este músico. Este “13 Japanese Birds” trata-se de uma espécie de “Box Set” contínua, composta por 13 álbuns de estúdio, sendo lançados de Janeiro de 2009 a Janeiro de 2010. Baseando-se numa música na qual o que importa não é a escrita mas sim o improviso, a 12ª parte deste projecto saiu quando esperado, em Dezembro, tendo sido gravado em Outubro. Como é a música? Difícil de se ouvir... Os sons distorcidos tornam-se a um certo ponto ensurdecedores... Não há ritmo, apenas electrónica improvisada a arranhar. Faixas ambiente que fornecem um ambiente bastante barulhento e pouco amigável – aqui o termo “ambiente” não se aplica a música “Chill Out” e “New Age”, nem sons da Natureza. Irá chegar a um ponto que a música começa a tornar-se insopurtável – um concelho: não o ouçam com phones como eu! Será tudo isso bom? Porque não? É a música de Merzbow, não podíamos esperar qualquer tipo de melodia... E há que admitir que existem poucos – ou nenhuns – artistas de Noise que façam música tão complexa como a de Merzbow e que capturem uma essência de ruído inigualável. Se depois de tantos, quase incontáveis, registos de Merzbow, este ainda se consegue manter em forma sem se demonstrar repetitivo – o que é difícil, neste estilo de música – então este músico Japonês está a fazer um bom trabalho. Mas é claro que não recomendo isto a ninguém, a não ser um amante e admirador de música Noise, que goste da electrónica barulhenta para dar ambiente. Portanto, temos um bom álbum... Mas inaudível a maior parte dos leitores... Confuso...

Avaliação: 5,3

- Não há vídeo disponível -


Este artigo foi publicado anteriormente no site Otaku no Uchi, cuja secção de música foi recentemente retirada.