terça-feira, 13 de março de 2012

The Cranberries - Roses



Artista: The Cranberries
Álbum: Roses
Data de lançamento: 22 Fevereiro 2012
Género: Rock alternativo, Pop Rock, Rock Céltico
Editora: Cooking Vinyl, Downtown Records
Lista de faixas:

1 – “Conduct”
2 – “Tomorrow”
3 – “Fire & Soul”
4 – “Raining in My Heart”
5 – “Losing My Mind”
6 – “Schizophrenic Playboys”
7 – “Waiting in Walthamstow”
8 – “Show Me”
9 – “Astral Projections”
10 – “So Good”
11 – “Roses”

Acho que todos já conhecemos bem os Cranberries. Quer tenham vivido a década de 90 já maduros, quer ainda fossem crianças. Através de algum irmão mais velho, de algum vizinho que gostava de aumentar o volume das suas colunas ou simplesmente naquela situação em casa em que fica a TV ligada num canal de música para dar ambiente a tarefas como as limpezas. Acho que é seguro dizer que todos tivemos contacto com a música da banda Irlandesa pelo menos uma vez.

A verdade é que, essa espécie de “hype” deu-se na década de 90 com alguns discos suficientemente jeitosos para garantir o sucesso mas com hits de destaque como é o caso de “Zombie” – que muitos dos apreciadores da banda apontam como sobrevalorizada e com letra fraca em relação a outros trabalhos da banda. Hoje em dia os Cranberries são uma banda de nostalgia e jamais atingirão o mesmo pique que tiveram nessa década que parece ter sido há tão pouco tempo mas que já se meteu uma inteira depois dela. Para completar a marcação da banda num específico período dá-se o hiato oficial que coloca a banda em pausa.

Passam-se anos, dão-se as experiências, os discos a solo desapercebidos de Dolores O’Riordan, a reunião para uma digressão e as saudades do estúdio apertam, logo anunciam a preparação do seu primeiro disco em dez anos. Algo arriscado sabendo que os Cranberries já tinham conquistado o estatuto de banda de nostalgia, saber se a preparação de um disco que arriscava-se a soar datado ia ser boa ideia. E também ter a inspiração no devido sítio para criar obras que soem familiares aos fãs que lhes compraram os discos nos anos 90, sem parecer algo preso no tempo.

Tinham muito que trabalhar e o seu resultado mantém-se nas linhas do razoável, mas por acaso não se pode considerar pouco competente por isso mesmo. O som “Folk Pop” que se apoia simultaneamente nas bases do Pop Rock alternativo e da música tradicional/folclórica Irlandesa para criar dóceis melodias está de novo presente, como os fãs bem se lembravam. Aí já reside suficiente para que o CD se junte aos restantes da colecção sem parecer um estrangeiro a tentar infiltrar-se, com mais audições pode-se juntar ao restante catálogo.

A voz de Dolores ainda não mostra qualquer sinal de envelhecimento. Também pior seria, passaram-se anos desde a época deles, mas ela ainda é jovem. Não temos nenhumas “brincadeiras” à volta das cordas vocais da vocalista com algumas “guinadas” e desafinações artísticas como já se achava piada ouvir em alguns êxitos clássicos como “Zombie” ou “I Can’t Be with You”, mas o seu trabalho vocal ainda está de se aclamar da mesma forma que sempre esteve – espere-se que a experiência sussurrada em “Waiting in Walthamstow” não incomode ninguém.

Se gostavam das habituais/ocasionais malhas mais hiperactivas com um certo destaque às guitarras, é apenas isso que está em falta, em relação ao que já conhecíamos. O que predomina no álbum são as canções suaves orientadas pelo lado Céltico que os caracteriza e pelas melodias Pop/Rock que lhes garantia um lugar à sombra em estações de rádio e TV. Portanto não existe em “Roses” nenhum sucessor para canções como “Salvation”, por exemplo.

Não existe muito risco e se há alguma ambição em especial, pelo menos ainda estão de pés assentes e ainda existe alguma humildade. A intenção era manter-se fiéis à veia que lhes era conhecida – deixando a parte mais agitada de lado – e nisso sucederam. Não se descobre aqui o fogo nem se inventa a roda, apenas se procura um local confortável para se instalar. E é o suficiente para agradar os antigos fãs, creio eu. E mesmo que pareça ter passado um pouco o prazo de validade e parecer algo entalado na década de 90… Enquanto não trouxerem as boy-bands, os Technotronic, os Ace of Base e o Vanilla Ice de volta, uma viagem de volta aos 90’s não parece uma experiência assim tão má ou assustadora…

Avaliação: 6,9


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